COPOM · 4 de novembro de 2026
Copom mantém Selic em 13,75% em decisão unânime
Vante Macro · publicado em 04/11/2026 22:39 BRT
· 3 min de leituraO Comitê de Política Monetária do Banco Central manteve nesta quarta-feira (4) a Selic em 13,75% (bcb_selic) ao ano, sem variação em pontos-base. Os sete membros do Comitê votaram a favor, em um comunicado que cita a piora das expectativas de inflação e a desaceleração da atividade.
Decisão
O que aconteceu
A taxa básica está em 13,75% desde antes da reunião e assim fica. O presidente Gabriel Galípolo e os outros seis diretores votaram pela manutenção, sem divergência registrada.
O Copom justificou a decisão com dois lados. Lá fora, o ambiente piorou com o conflito no Oriente Médio, que pressiona o petróleo, e com juros mais altos nas economias avançadas. Aqui, a inflação cheia e a média dos núcleos aceleraram e estão acima do teto da meta. As projeções da Focus para o IPCA subiram para 5,2% em 2026 e 4,8% em 2027. A atividade, por sua vez, desacelera com mais força, principalmente nos setores cíclicos.
vs FOCUS
Na última leitura antes da reunião, a mediana da Focus para a Selic estava em 13,5% . A diferença para o nível mantido é de 25 pontos-base . Essa mediana passou de 13,25% para 13,5% na semana anterior à decisão, depois de semanas parada. O mercado já vinha adiando a expectativa de cortes, e o Copom não deu sinal de que pretende acelerar esse calendário.
Tom do comunicado
O texto é cauteloso e tem viés contra a inflação. O Comitê vê riscos de alta maiores que os de baixa e lista quatro deles: expectativas desancoradas por mais tempo, inflação de serviços persistente, câmbio mais depreciado e estímulos ao consumo. A projeção para o segundo trimestre de 2028, horizonte relevante, subiu para 3,5%. Para 2026, a estimativa está em 5,6%.
Há, ainda assim, uma concessão à atividade. O comunicado classifica a Selic como "substancialmente contracionista" e registra uma moderação "mais acentuada" da economia. Também pede "serenidade e cautela" na condução da política. Não há, porém, qualquer indicação de quando os cortes começam — o texto se limita a dizer que o Comitê vai "manter a restrição adequada".
O que muda
O juro real estava em 9,42% em setembro, o menor nível da série nos últimos doze meses. Com a Selic parada e a inflação acelerando, o aperto efetivo vem diminuindo sem que o Banco Central precise mexer na taxa.
Para o mercado, a leitura é de pausa longa. As expectativas de inflação estão subindo e a projeção do próprio Copom se afastou da meta. Isso torna improvável um corte na próxima reunião, a menos que a desaceleração da atividade se aprofunde. A ata, que sai na próxima semana, deve mostrar quanto peso o Comitê dá a cada um desses dois lados.
Este conteúdo é puramente informativo e não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional certificado pela CVM antes de tomar decisões financeiras.